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O oportunismo de um rabino e de um sheik

abril 1, 2010

É evidente que basta alguém estar fora da Igreja para ser um caótico, mas há gente que se supera.

Para estas pessoas não basta que o Papa venha a público pedir perdão por erros que muitos religiosos cometeram. Isto não basta, é preciso mais. É necessário tentar deixar acuados o Papa e a Igreja o mais que puderem.

Sua Santidade faz um sincero pedido de perdão e o que ele recebe em troca? Tapas e cusparadas (não, não é coincidência…), vindas mesmo de gente que no mínimo deveria saber mais sobre perdão.

Segundo o jornal “Extra”, do Rio de Janeiro, religiosos classificaram como “acanhados” os gestos do Papa Bento XVI. Eis o que disse o sheik Khaled Tak-el-Din ao jornal:

“— A Igreja deve tomar medidas mais fortes e não só se desculpar, mandar essas pessoas para a Justiça para que sirvam de exemplo. Isso é um crime contra crianças, contra a Humanidade — diz o diretor de Assuntos Islâmicos da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, xeique Khaled Tak-el-Din. — Não foi surpresa a atitude do Papa, mas espero mais do que isso. Falta uma medida mais forte, porque isso não suja não só sacerdotes criminosos, mas a imagem do Vaticano.”

Comparemos isto ao que escreveu Sua Santidade na Carta Pastoral aos Católicos na Irlanda:

“7. Aos sacerdotes e aos religiosos que abusaram dos jovens

Traístes a confiança que os jovens inocentes e os seus pais tinham em vós. Por isto deveis responder diante de Deus omnipotente, assim como diante de tribunais devidamente constituídos. Perdestes a estima do povo da Irlanda e lançastes vergonha e desonra sobre os vossos irmãos. Quantos de vós sois sacerdotes violastes a santidade do sacramento da Ordem Sagrada, no qual Cristo se torna presente em nós e nas nossas acções. Juntamente com o enorme dano causado às vítimas, foi perpetrado um grande dano à Igreja e à percepção pública do sacerdócio e da vida religiosa.

Exorto-vos a examinar a vossa consciência, a assumir a vossa responsabilidade dos pecados que cometestes e a expressar com humildade o vosso pesar. O arrependimento sincero abre a porta ao perdão de Deus e à graça do verdadeiro emendamento. Oferecendo orações e penitências por quantos ofendestes, deveis procurar reparar pessoalmente as vossas acções. O sacrifício redentor de Cristo tem o poder de perdoar até o pecado mais grave e de obter o bem até do mais terrível dos males. Ao mesmo tempo, a justiça de Deus exige que prestemos contas das nossas acções sem nada esconder. Reconhecei abertamente a vossa culpa, submetei-vos às exigências da justiça, mas não desespereis da misericórdia de Deus.”

Ou o sheik não leu o que o Papa escreveu e quer mesmo é se juntar ao côro de quem só deseja a ruína da Igreja, ou, o que é bem pior, leu o que o Papa escreveu e quer fazer de conta que o Sumo Pontífice escreveu coisa diferente do que ele, o sheik, desejava. Está tudo lá na Carta Pastoral escrita por Sua Santidade: necessidade de responder à Justiça, a vergonha e desonra que isto lança sobre toda a Igreja, reconhecer publicamente as culpas. Está tudo lá e, mesmo assim, o sheik diz que “(…) espero mais que isso”?

Mais o quê? Quer ele que o Papa saia de chicote na mão atrás de sacerdotes e religiosos que não honraram seus votos? Talvez o sheik tenha ficado chateado porque Sua Santidade não lhe tenha enviado o texto da Carta para sua revisão. Talvez desta forma o sheik pudesse, do alto de sua suprema sabedoria, ensinar ao Papa como lidar com a situação, não é mesmo?

Na verdade, o sheik faria muito melhor se tentasse explicar o porquê de seu “profeta” ter casado com uma menina de 6 anos. Ah, sim… Em defesa do profeta está o fato de que ele não consumou o casamento quando Aisha tinha 6 anos. Ele conseguiu esperar 3 longos anos! É… Maomé esperou até Aisha ter 9 anos e consumou finalmente o casamento. Edificante, não? Será que eu também posso dizer que esperava mais do “profeta”.

Mas o sheik não está só quando pega em pedras para jogar na Santa Igreja. Quando o assunto é tentar jogar na lama a Igreja de Deus, não é que muçulmanos e judeus conseguem se unir?

Na mesma reportagem do jornal, está a fala do rabino-chefe do Rio de Janeiro, Yacov Israel Blumenfeld:

“— O celibato leva à pedofilia. Temos desejos naturais, somos seres humanos normais. Como controlar a impulsão natural do homem? Fazer isso leva a problemas psicológicos, como pedofilia, relações de homem com homem e mulher com mulher, doenças físicas. Não dá pé.”

“O celibato leva à pedofilia”! Esta é uma das associações mais asquerosas jamais ditas. Coisa típica de quem confunde ódio com a reflexão serena sobre um assunto grave. Segundo a fala do rabino, o celibato é um passo grande em direção à pedofilia. Na verdade, segundo sua fala, o celibato necessariamente desembocaria em pedofilia. É um acinte que um religioso diga tal besteira. E é extremamente injusto, pois a esmagadora maioria dos sacerdotes cumpre seus votos de forma exemplar, votos estes que são assumidos livremente e pelo bem da Igreja.

É bem fácil para o rabino ficar sentado dando declarações sobre uma questão disciplinar da Igreja Católica. Ele nada tem a perder. Nisto ele está de mãos dadas com o sheik, que convenientemente “esquece” o casamento do “profeta” com uma menina de 6 anos de idade. É bem confortável que ele tente manchar uma prática louvável como é o celibato, que é sempre um ato de amor a Deus e desprendimento por uma missão maior, com a mácula de que isto pavimenta o caminho de crimes abomináveis. Só que fazendo isto o rabino deixa de fazer a reflexão necessária, deixa de mostrar a crise moral que está permeando toda a sociedade.

Levada por uma idolatria ao sexo pelo simples prazer, a sociedade olha enviezado para o que não mais encaixa em seus baixos padrões morais. É por isto que o celibato hoje é alvo de ataques até de gente que nada tem a ver com a Igreja. E por que isto se dá? Por que alguém está se importando com as vítimas? Que nada! O rabino deu seu veredito: é o celibato o que causa todos os problemas.

Só que a realidade dá uma rasteira no rabino, assim como o passado deu no sheik. Eu gostaria de saber o que o rabino diria dos escândalos que religiosos de sua religião protagonizam, como podemos ver na página do “The Awareness Center”. Será que todos os crimes relatados nesta página — que variam desde atentado violento ao puder até estupro, pedofilia, cafetinagem e outras coisas igualmente deploráveis — foram causados pelo celibato? Este é o problema de quem quer dar explicações superficiais para problemas complexos: a flecha passa longe do alvo. E, no caso do rabino, acaba atingindo o arqueiro.

Há até casos de israelitas que fizeram das suas por aqui no Brasil. O rabino deveria dar uma olhada no caso envolvendo o então vice-cônsul Aryeh Scher e o professor Georges Schteinberg. A única coisa que o rabino não pode é fazer uma ligação local para os dois, pois ambos fugiram do Brasil assim que o escândalo veio à tona.

Mas, saindo do Brasil, que tal o rabino-chefe do Rio de Janeiro dar uma checada no caso do rabino Baruch Lebovits, que recentemente foi julgado culpado por molestar um menino em Nova York, EUA. Pois é… um rabino! Assim como outros que podem ser vistos na página do “The Awareness Center”… Será o rabino-chefe acha mesmo que o problema é o celibato? Talvez seja a hora de ele rever seus conceitos.

E não trago estes fatos sobre as religiões do sheik e do rabino como forma de dizer que estamos todos chafurdando na mesma lama. Longe de mim afirmar tal coisa. O que quero que fique claro é que pega muito mal gente que fica de fora atiçando o fogo e tocando harpa, e que até mesmo parece sentir um certo prazer pelos erros de certos religiosos católicos somente porque estes são católicos. E procedendo desta forma deixam de lado a mais do que necessária reflexão sobre um fenômeno que vai se espalhando pela sociedade toda. É a busca pelo prazer pelo prazer, marca de um hedonismo que virou moeda de troca, é o relativismo moral a que a sociedade cada vez mais vai acostumada, que vai pervertendo nossos valores e corroendo tudo à nossa volta.

É este o real problema! É sobre isto que tanto o rabino quanto o sheik deveriam ter aproveitado o momento para denunciar. Mas não… O caminho escolhido foi bem outro. Um preferiu virar a cara a um pedido de desculpas e o outro preferiu utilizar o momento para fazer associações espúrias e se meter em uma questão que não lhe diz respeito.

Ao desprezar um sincero pedido de desculpas por parte do Papa, como fez o sheik, e ao tentar fazer uma conexão direta entre celibato e pedofilia, como fez o rabino, eles demonstram não querer resolver o problema e tampouco mostram compaixão às vítimas. Mostram, em um momento de muita dor, um sentido agudo de oportunismo.

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