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FEBEACAT – Ensino omisso e errôneo de bispos serve para nada

julho 5, 2010
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Em tempos de eleição, nada como iniciar o FEBEACAT (Festival de Besteiras que Assolam o Catolicismo). O chato é ter de iniciar justamente por quem sequer deveria fazer parte deste prestigioso festival: nossos bispos.

A Comissão de Sábios que escolhe os eventos e pessoas que contribuem para que o catolicismo desça mais um pouco em direção ao fundo do poço infelizmente não teve como deixar de notar o evento que reuniu 50 bispos do Regional Sul da CNBB (Estado de São Paulo). Neste evento, os senhores bispos, aproveitando as próximas eleições, acharam por bem lançar uma nota com orientações aos fiéis sobre a “participação consciente e responsável no processo político-eleitoral deste ano”.

Ensinamento ortodoxo, que é o mínimo que se deve esperar de uma nota que tem a palavra de bispos sobre assuntos pastorais, não se resume a boas intenções. Como escreveu muito bem o blogueiro Jorge Ferraz, “a Igreja pode e dever dizer quem NÃO é um candidato aceitável”.

E é exatamente esta omissão em citar o que é mais do que necessário nos tempos atuais que torna a nota um texto inócuo, que serve para nada. Os senhores bispos parecem não compreender a época em que vivemos, uma época em que notinhas diplomáticas e genéricas como a que foi divulgada será ignorada pela ampla maioria dos fiéis exatamente porque evita o tom incisivo em temas como aborto, família, liberdade religiosa, etc.

Muito melhor fez D. Aloísio Roque Oppermann, que em texto recentemente publicado no próprio site da CNBB deu nome aos bois e disse o que é necessário ser dito: Lula e sua fantoche Dilma são favoráveis ao aborto. Pois é… Um texto despretensioso de um único bispo como D. Aloísio contribui mais para a verdade do que uma nota de 10 pontos assinada por 50 bispos do estado de São Paulo.

Mas a nota quase vazia dos bispos de São Paulo tem coisas tão graves quanto a omissão. Como bem exposto por Jorge Ferraz no Deus lo Vult!, o primeiro ponto da nota trata-se abertamente de uma heresia. Sim, sim, chegamos ao ponto em que 50 bispos reúnem-se e lançam uma nota, segundo eles “no cumprimento de sua missão pastoral”, ensinando heresias aos fiéis. Deixo o blogueiro do Deus lo Vult! falar:

“(…) Se fossem católicos ignorantes, poder-se-lhes-ia desculpar; mas os pastores da Igreja iniciando um documento com uma erro doutrinário crasso já condenado pelo Magistério há muito tempo, é demais.”

Precisa dizer algo mais? Só isto: entre 50 bispos não haver um sequer que tenha visto que uma heresia explícita abria a nota pastoral demonstra bem a terra devastada em que está o catolicismo no Brasil.

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11 Comentários leave one →
  1. julho 6, 2010 10:52

    Os verdadeiros filhos da Igreja devem atuar como os bons filhos de Noé e tapar a nudez de seu pai, em vez de ficar alardeando sua embriaguez. Ficar atirando pedras aos bispos não ajuda em nada e está em contradição com o conselho paulino de “praticar a verdade no amor” (Ef 4,15), recordado por Bento XVI na Caritas in veritate nº 2, §2.

    Por outro lado, “todo o poder emana do povo” é uma citação livre do primeiro artigo da Constituição brasileira. Sua inserção na nota da CNBB tem mais caráter patriótico do que teológico. Acusar de heresia assim certamente é ligeireza.

    Segundo D. Roberto Grosseteste (1173-1253), “heresia é uma opinião escolhida pela percepção humana, criada pela razão humana, fundamentada nas Escrituras, contrária aos ensinamentos da Igreja, publicamente confessada e obstinadamente defendida”. — Claramente, não é este o caso.

  2. julho 6, 2010 11:50

    Caráter patriótico ou não, isto pouco importa. O patriotismo dos senhores bispos não deve jamais estar à frente de sua missão como pastores, ainda mais se eles claramente diziam estar exercendo sua missão pastoral.

    E tampouco estou eu e outros a atirar pedras aos bispos. Mostramos a verdade que é ensinada pelo Magistério da Igreja. O mínimo que se esperar é que bispos conheçam estas verdades, pois têm a OBRIGAÇÃO ensiná-las sem quaisquer modificações. Isto NÃO é opcional.

    Engana-se o senhor se acha que não tenho respeito pelos bispos. Tenho e muito, e é por isto mesmo que digo que iniciaram uma nota pastoral com uma besteira, uma heresia, como bem indicado por Jorge Ferraz.

    A enorme besteira foi publicamente confessada e para estar em documento assinado por 50 bispos foi defendida o suficiente, não? Há alternativas: que admitam o erro ridículo e voltem atrás, publicando uma nova versão do documento.

    O que não se pode é cruzar os braços e ficar buscando justificativas espúrias para a defesa de uma heresia.

    []’s

    • julho 6, 2010 12:17

      OK. Não conhecia esse tipo de amor.

      Então deixo uma sugestão para os que não queiram ficar de braços cruzados: escrevam aos bispos privadamente, não em público. Produzam ideias e atuem politicamente, em vez de se autoproclamarem bastiões da ortodoxia.

      • julho 6, 2010 17:32

        Meu caro:

        Não me proclamo bastião de nada, mas não fecho meus olhos quando uma heresia está explícita. Se vc o faz, isto é contigo, só não queira vc ser exemplo para mim, pois este não é meu caminho.

        Os senhores bispos lançaram uma nota pública e merecem uma crítica pública. E mais: este caminho de escrever aos bispos em privado já foi mais do que tentado. O resultado com o passar dos anos é o que estamos vendo: notas com heresias.

        Quanto ao amor, é bom mesmo vc rever teus conceitos. Caso se recuse, fica parecendo exatamente que vc quer ser a medida para todas as coisas. Não és; e é bom que vc se dê conta disto o quanto antes.

        []’s

    • julho 6, 2010 14:06

      Obrigado por apagar minha réplica.

      Fica parecendo que você não quer comentários ou que não tem resposta.

  3. Rafael-Z. permalink
    julho 6, 2010 12:56

    Discordo do autor quanto ao tom das críticas. O fato é que a nota da CNBB efetivamente indica quais as posições que um católico coerente deve defender. A Igreja não é partido político e não fará panfletos contra o candidato A ou B. Se ela agisse assim, acabaria se desvalorizando e virando um Partido Católico, o que não é sua missão.

    Sobre a acusação de heresia, gostaria de saber se é um exagero movido pela raiva, ou se o autor a levaria às conseqüências lógicas. Seriam hereges todos os constituintes de 1988, todos os presidentes da república que juram respeitar a Constituição, todos os ministros do STF que guardam a Lei Maior? Um católico não pode se candidatar a presidente, nem exercer cargo público (pois implica em guardar os valores constitucionais)???

    Ou não será o caso de entender que Leão XIII falava contra uma filosofia, da qual “todo o poder emana do povo” não passa de uma expressão? E que essa frase pode ser usada em contextos que não tenham nada de anti-cristãos?

    • julho 6, 2010 17:50

      Que a Igreja não é partido político é por demais óbvio para ser comentado e em momento algum cobre isto. Aliás, se a própria CNBB (dizendo aqui principalmente de seu aparato burocrático, com seus inúmeros assessores com agendas que nada têm de católicas, do que propriamente dos senhores bispos) procurasse manter uma distância saudável da política partidária, funcionando exatamente como uma crítica contundente àquilo que fere os ensinamentos católicos, não haveria problema algum.

      Não é acusação de heresia, não. Compare o que veio escrito no primeiro item da nota com o que já foi ensinado pelo Magistério e qualquer um pode concluir que algo está frontalmente contra o catolicismo. Garanto que não é a palavra do Magistério…

      Quanto à raiva, parece que vc tem o costume de usá-la para suas argumentações. Pode até funcionar em outros lugares; aqui, não.

      Um católico pode perfeitamente defender a Constituição e saber perfeitamente precisar e filtrar os pontos em que a lei do estado vai frontalmente contra os ensinamentos da Igreja. Se um católico ferrenhamente aceita e promove trechos que são contrários ao catolicismo, coloca-se em posição perigosa. Conseqüência lógica suficiente para você?

      O absurdo é aceitarmos bispos, dizendo cumprir sua missão pastoral, proclamando um trecho herético da Constituição em uma nota pastoral que é direcionada exclusivamente aos católicos. E para que esta aceitação ganhe um douramento de virtuosidade chega-se ao ponto de falar que a palavra de um papa sobre um assunto sério seria, na verdade, apenas “uma expressão”.

      Ora, faça-me o favor…

      []’s

  4. julho 6, 2010 14:11

    Desculpe-me o último comentário. Só agora vi que tinha moderação e que não tinha sido analisado ainda.
    Fico muito chateado com esse tipo de assunto, pois não vejo que a solução para tais dificuldades esteja em achincalhar a CNBB.
    Um cordial abraço.

    • julho 6, 2010 17:35

      Achincalhar seria se eu fizesse uma crítica injusta. Não fiz.

      E o histórico da CNBB na área política dá amplo suporte para uma forte crítica. Católico que não vê isto está apenas fechando seus olhos à realidade.

      []’s

  5. julho 6, 2010 18:29

    William, dou por encerrada esta discussão. A última palavra será a sua e não a minha. Não queria ofender, mas apenas provocar, no bom sentido. Afinal, estamos ambos do mesmo lado e é razoável que troquemos impressões a fim de chegarmos a consenso.

    Você vestiu a carapuça de bastião desnecessariamente. Eu me referia aos que querem arregaçar as mangas e se podem equivocar ao colocar em prática suas boas intenções. Não tenho a missão de julgá-lo nem a nenhuma outra pessoa. Afinal, com a medida com que medirmos, seremos medidos, não é?

    Quanto a rever meus conceitos sobre o amor, agradeço seu conselho tão premente. Longe de mim querer ser medida para todas as coisas. Pelo menos, você me ofereceu a saída — se não honrosa, pelo menos única — para que eu não caia nesse erro, seja ele qual for.

    • julho 6, 2010 19:29

      Caro João:

      Ótimo saber que estamos do mesmo lado!

      Peço mil desculpas por ter entendido errado tua referência a “bastiões da ortodoxia” e por qualquer coisa que daí tenha advindo.

      Quanto ao amor, creio mesmo que ainda mais nos dias de hoje estamos meio que perdidos sobre o que seja. Creio que há confusão em acharmos que o amor é sempre aquela coisa que passa a mão na cabeça, mas, assim creio, amor vai muito além. Mas já estou divagando…

      Obrigado pelo papo!

      []’s

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